A IDADE JÁ NÃO É UM POSTO

REFORMULAÇÃO TÉCNICO-METODOLÓGICA DO INDIVÍDUO.

A aparente erudição da expressão encerra em si a simplicidade de uma noção e de uma necessidade incontornável na vida de qualquer profissional: a constante renovação e expansão do seu conjunto de competências. Há muito que se aceita que, à medida que os anos passam por nós, o desafio de encontrar um espaço no mercado de trabalho se vai tornando progressivamente maior, deixando cair um pano de dúvida mesmo sobre os mais excepcionais talentos. Mas porque é que as empresas continuam a ignorar carreiras extraordinárias, preterindo a estabilidade emocional e o saber fazer que os anos no terreno forjaram? Se as provas não se esfumam e se o indivíduo continua competente, porquê é que o mercado se fecha para ele?

As evidências dizem-nos que a valorização da experiência, de facto, acontece. Contudo, com o aproximar da meia-idade, o mundo empresarial tende a desvalorizar as provas dadas em função da promessa de uma nova abordagem. A idade não subtrai competência, é claro, mas contribui para a projeção de uma imagem diferente perante os outros: o novo fascina, seduz, reflete esperança; um símbolo fosco da velha-guarda não faz o mesmo.

Portanto, ao impacto emocional da transformação física, podemos acrescentar o castigo da progressiva desvalorização das provas dadas ao longo de anos de trabalho, fatores que terão um peso significativo na auto-avaliação da vida de cada indivíduo. A realização profissional, pese embora não seja a nossa única sustentação pessoal, é uma das traves-mestras do nosso ser e, dessa forma, não temos como fugir à necessidade de nos integrarmos numa estrutura produtiva, de trabalharmos, de contribuirmos positivamente para o paradigma social em que vivemos. É urgente, portanto, procurar uma solução para este desafio que, mais cedo ou mais tarde, se vai levantar perante cada um de nós.

Voltamos então à ideia que introduziu esta reflexão: a criação de ferramentas e a renovação de métodos. Na verdade, só assim poderemos continuar competitivos num mercado que acolhe talento jovem dia após dia - aprimorando competências linguísticas, pontes para uma comunicação universal, confiante e eficiente; interagindo fluentemente com as ferramentas que a idade da tecnologia põe ao nosso dispor; desenvolvendo uma estrutura pessoal que nos permita estabelecer relações humanas positivas e produtivas; enfim, a chave balança no progressivo acrescentar de valor a partir da formação. Sendo evidente que vivemos numa época de transformação económico-social, é vital que esta ideia nunca nos abandone: o crescimento global, seja tecnológico, seja de novos mercados ou mesmo da nossa compreensão sobre o indivíduo, deve servir de fasquia ao nosso crescimento pessoal. Este é desafio e estas são as soluções. Resta saber quando cada um se fará ao caminho.

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